Ainda estou aqui!
Coluna Lu Gastal para Vida Simples.
Reflexões sobre silêncios, recomeços e o respeito à dor alheia.
“Querido leitor, devo-te um pedido de desculpas. Há longos cinco meses não envio minha coluna mensal ao portal da Vida Simples, lugar na rede mundial de computadores por onde adoro transitar! Casa de trocas, com shots de excelentes leituras e reflexões.
Acontece que nos últimos meses, desde que a enchente engoliu casas, histórias e o emocional de tantas pessoas no sul do Brasil, minha escrita pausou. Por diversas vezes me vi sentada diante da tela em branco do computador, e enquanto pacientemente a observava em busca de palavras, ela me devolvia o meu próprio olhar – um pedido de calma!”
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Com essa exata introdução iniciei minha primeira coluna de 2025, em fevereiro, quando a seguir mais uma longa pausa de escrita e comunicação nos distanciou. Aqui confesso: sinto falta da gente juntos e das interações que vocês me proporcionam posteriormente à leitura, pelo direct do instagram @lugastal.
A vida pós enchente de 2024 me chacoalhou! Duplo twist carpado. Me calou, fez repensar, buscar compreensão nas relações cotidianas. De lá pra cá, a presença (indesejada) de crises de ansiedade e importantes mudanças de vida, entre o rompimento de uma relação de 30 anos.
De repente, muito muda, e mesmo pretendendo que situações dessa grandeza aconteçam em ambiente sadio, equilibrado e respeitoso, trata-se de uma ruptura com vários protagonistas. Difícil equacionar a tudo e todos, um mesmo assunto gravitando entre as esferas pessoal, conjugal, familiar, social, profissional.
Uma parte da gente morre. Outra nasce. Em tempo e movimentos INDIVIDUAIS, histórias se redistribuem entre as lacunas existentes.
Assim como as enchentes reduzem a profundidade dos rios e dificultam a navegação, em relações rompidas sedimentos emocionais tornam assoreados (e rasos) nossos rios internos. A partir de então, “qualquer chuva” nos faz transbordar.
Nadando em turbulentas águas, entre braçadas pra frente, cansaço e falta de ar, alguns breves afogamentos e a vontade de voltar à tona para encher os pulmões e recuperar o fôlego. A ORDEM É RESPIRAR! Entre enxurrada de conversas, cuidados, descuidados, considerações, dores, por quês, medos, desejos, inseguranças, seguranças. Tudo junto e misturado.
Aos envolvidos, nada é fácil, tudo é delicado. Diante da fragilidade, vale o apoio de quem tiver abraço e escuta disponíveis.
À curiosa plateia, a dor do outro vira palco, com direito à pipoca e algodão doce.
Inacreditável que dentre a profusão de assuntos complexos vividos atualmente mundo afora, o nível de esmero sobre delicados assuntos alheios seja tão grandioso. De repente, pessoas fora do seu convívio íntimo discutem, analisam, reverberam inverdades sobre a vida do outro. Popularmente conhecida por fofoca, a promíscua atividade movimenta cenários não pertencentes à situação, e, pra quem não sabe, machuca fortemente os envolvidos.
O “amigo” (que-não-é-amigo) ouve falar. Imediatamente pendura no pescoço um imaginário crachá: “Opinador oficial de algo que não lhe diz respeito”. A seguir, covardemente, propaga, inventa e sentencia assuntos que não lhe cabem. Puro êxtase!
Entre especulações, imaginação e comentários intrigantes, notificações de WgatsApp animam celulares entediados. Assuntos alheios se tornam animadores a quem dispõe de poucas (ou inexistentes) situações interessantes ao seu redor. Bisbilhotar a vida alheia é o combustível pra viver a sua. Disseminar o que não lhe cabe. Parece inofensivo, mas não é.
…
Divido esse momento tão delicado e pessoal para desabafar, clamar e lembrar quem aqui me lê: em assuntos onde não somos protagonistas e desconhecemos a história, é ideal que nos calemos.
Caso presentes num ambiente onde a temática venha à tona, delicadamente nos retiremos. Mais fácil ainda é rapidamente sugerir a troca da pauta, e constranger o constrangedor, num convite forçado para que se cale.
Deixemos as sentenças aos Juízes de Direito, devidamente instruídos e remunerados para tal. Sejamos empáticos, tentando perceber que, em casos de rompimentos, há pessoas envolvidas entre dores e sensações de seu exclusivo interesse e arbítrio.
Eu sei, você sabe, todo mundo sabe… é gentil o ato de pensar no outro, imaginando que a dor poderia ser sua, e colocar-se em seu devido lugar: fora do assunto. De empatias e gentilezas estamos todos precisados!
Beijos meus!